Artenarede ,quarta-feira, 1 de outubro de 2014.
 
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     'Antes - Histórias da Pré-História', no CCBB/RJ

 

Antes - Histórias da Pré-História

Inspirado em movimento de investigação e emersão do patrimônio e dos valores matriciais da formação cultural brasileira - marcado pelo evento Arte da África, realizado em seus centros culturais, nas cidades do Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo -, o Banco do Brasil tem a honra de apresentar a exposição Antes - Histórias da Pré-História, curadoria de Niède Guidon e Anne-Marie Pessis.

Urna funerária.
Tradição policrômica Amazônica.
A exposição monta um extenso painel sobre as condições de ambiente e de vida dos povos da nossa pré-história, focando a fauna, tecnologias, rituais e a arte distribuída segundo as especificidades dos habitats do litoral, do universo amazônico e dos planaltos.

O acervo apresentado tem origem em coleções de notórias instituições nacionais e internacionais e, principalmente, nos acervos da Fundação Museu do Homem Americano com sede na Serra da Capivara , no município de São Raimundo Nonato no Piauí, e no Museu Paraense Emílio Goeldi, de Belém do Pará. O primeiro nos brinda com uma visão da alegria de viver em terras pouco hostis e generosas à manutenção humana, enquanto o segundo revela uma civilização com adiantado domínio técnico de processos artesanais e capaz de elaborar sofisticadas formas de se relacionar com o cotidiano e a morte.

A reunião de peças, desenhos, gravuras, pinturas, esculturas de dois, dez, vinte ou trinta mil anos atrás dizem respeito, enfim, à emocionante aventura do homem de se expressar, de deixar a sua marca - imemorial, anônima, porém eterna e singular.

O Centro Cultural Banco do Brasil realiza o evento Antes - Histórias da Pré-História como contribuição ao estudo da arte e da cultura e como forma de celebrar o Brasil em sua identidade primitiva, revelando aos visitantes parte de nossa história ainda não contada.

Exposição

Conhecer a pré-história é uma forma de descobrir um Brasil único, que existiu antes do primeiro contato com os europeus e sobre o qual pouco sabemos. “Antes – histórias da pré-história” reúne pela primeira vez mais de 300 peças dos mais importantes acervos que ajudam a reconstituir o cotidiano, os desafios, as invenções e as transformações de uma época quando o clima, a topografia e a própria distribuição do homem pelo País eram muito diferentes de hoje. A exposição traz ao Centro Cultural Banco do Brasil uma amostragem das matrizes que alicerçam a história da arte: peças inspiradas pela natureza que regia e determinava a vida, estatuetas e cerâmicas executadas com domínio da técnica e um apurado senso estético, desenhos e gravuras que estabeleciam a comunicação num tempo anterior à escrita.

 

                 
                                            Crânio humano. Parque dos Coqueiros.
                                             Parque Nacional Serra da Capirvara.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Brasil da pré-história pode ser dividido em três grandes áreas: o Litoral, o Interior e a Amazônia, cada um com características únicas. O estudo arqueológico do longo período que antecedeu a chegada dos europeus revela um país diversificado, em que o conhecimento do ambiente determinava a sobrevivência e inspirava a arte. Cotidiano, mitos, vida e morte se encontram nas peças desta exposição.

Para completar a mostra, fragmentos da arte pré-histórica de outras partes do mundo foram trazidos ao CCBB. Peças do Peru, da Romênia, do Irã, da Alemanha, da Hungria, da Turquia e da Austrália. Eles atestam a riqueza e a diversidade dessa produção, cujo conhecimento hoje, milhares de anos depois, lança luz sobre a própria trajetória do homem.


  LITORAL
Montes de areia e conchas com até 30 metros de altura comuns, no litoral brasileiro, foram lugar de moradia, alimentação, lazer e enterramento para grupos pré-históricos. Conhecidos como sambaquis, abrigaram populações de caçadores-coletores até os primeiros séculos da Era Cristã. Neles foram encontrados instrumentos de caça, utensílios diários, enterramentos, adornos de conchas e zoólitos, animais como peixes e pássaros, cuidadosamente esculpidos em pedra ou osso.


Muiraquitâ da cultura Tapajó. PA.
  MUIRAQUITÃS E TEMBETÁS
Adornar o corpo com objetos trabalhados em diferentes materiais e formas é uma prática conhecida desde a pré-história. Na Amazônia, os tembetás, que em tupi, significa “pedra do lábio”, já apareciam em antigas esculturas de cerâmica e pedra, e estariam ligados à entrada na adolescência. Muiraquitãs, pingentes de rocha verde em forma de animais, são associados à sorte e ao poder da cura.

 

AMAZÔNIA
Objetos de cerâmica, com decoração e formas excepcionais, tinham uso doméstico e cerimonial na Amazônia da pré-história e eram usados também como urnas funerárias. Essas cerâmicas acompanham o surgimento de sociedades cada vez mais complexas. Culturas como a Marajoara, a Maracá e a Santarém, que produziram peças com formas humanas e animais, algumas das quais decoradas com elaboradas pinturas, tiveram um breve auge e desapareceram num curto espaço de tempo.


  TECNOLOGIA
Do confronto entre mudanças ambientais e a observação da natureza surgiram soluções que permitiram a sobrevivência do homem. Casas subterrâneas ofereciam proteção contra o frio e a chuva. Fragmentar, polir e lascar rochas permitiu criar flechas e lanças para a caça e a defesa. Da observação de ninhos surgiram cestos. Um enorme salto foi o domínio do cultivo e do uso de plantas como a mandioca, que garantiu uma fonte estável de alimentos. Cerâmicas serviam ao cotidiano e também eram usadas para enterrar os mortos. Sobre a rocha, foram criadas pinturas e gravuras, verdadeiros marcadores da memória.

MISSÕES
Antes do século XX, a arqueologia no Brasil era, em muitos casos, uma atividade romântica, movida pelo ideal de desvendar o passado. No século passado houve um rápido avanço, com a formação de especialistas e com o desenvolvimento de novas tecnologias. A criação de missões arqueológicas impulsionou e aumentou de forma definitiva o conhecimento.

  INTERIOR / PINTURA RUPESTRE
Para o homem da pré-história, pintar era um meio de criar símbolos, caracterizar ritos e, acima de tudo, de se comunicar. Essa elaborada forma de arte é encontrada em sítios arqueológicos espalhados pelo Brasil, mas é no sertão do Nordeste, no Parque Nacional Serra da Capivara (PI) que está a maior concentração por metro quadrado em todo o mundo. Nos painéis, há complexas composições com temas cotidianos ou cerimoniais, que incluem cenas de caça, sexo e violência.


  GRAVURA
Toca de entrada do Baixão da Vaca.
Pedra do Ingá/PB.
A primeira menção a gravuras rupestres no Brasil data do século XVI, na área que corresponde hoje à Paraíba. Elas surgem geralmente em planícies isoladas ou perto de rios. Os grafismos não são reconhecidos, mas, na Amazônia, há formas humanas e animais. Na Paraíba está a mais famosa gravura rupestre do Brasil, a Pedra lavrada de Ingá, situada no meio de um riacho, com 24 metros de largura e três de altura. Uma detalhada reprodução pode ser vista na exposição.

  FAUNA
No Brasil, o clima de regiões hoje semi-áridas era muito mais úmido na pré-história e uma variada fauna se multiplicava pelas florestas e pelos campos. Espécies extintas como a preguiça gigante, cujo esqueleto com mais de seis metros pode ser visto na exposição ou o tigre-dentes-de-sabre, com 400 quilos e caninos de até 30 centímetros, dividiam o espaço com o homem.

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